Dia Internacional da Mulher ainda é marcado por lutas, e não por celebrações

Este domingo, 08 de março, marcou o Dia Internacional da Mulher. A ideia de celebração anual desta data surgiu através da luta: no final do século XIX, foram realizadas jornadas de manifestações pela igualdade de direitos e a favor do voto feminino. A partir disso, as celebrações começaram e surgiu então esta data tão importante. 

Março, como um todo, tem sido encarado como Mês Internacional da Mulher, demonstrando que uma infinidade de pautas feministas demanda mais que um dia de publicidade e manifestações. 

De acordo com o Censo Demográfico de 2022, o Brasil tem 104.548.325 mulheres, o equivalente à 51,5% da população. Apesar de serem maioria absoluta, as mulheres continuam a sofrer preconceitos e a desigualdade, como: a disparidade salarial. Levantamento de 2024 do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) revela que, mesmo sendo mais escolarizadas, as mulheres recebem 19,4% a menos que os homens. 

Além disso, a participação feminina no mercado de trabalho também é inferior à masculina. Dados de 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) atestam que apenas 53,3% das mulheres estão inseridas no mercado, enquanto entre os homens o percentual é de 73,2%. 

Alguns fatores colaboram para esta diferença, como o preconceito de empresas que não contratam mulheres com filhos. 

Na Saúde, as mulheres são maioria absoluta, com destaque para a área da Enfermagem. De acordo com dados do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), no Brasil existem 1.476.584 técnicos de enfermagem, e as mulheres correspondem à 85% da categoria. 

Como revelado no Boletim OTS Dados 1, as mulheres são 82% da força de trabalho das(os) técnicas(os) do Eixo Ambiente e Saúde. O documento deste Observatório dos Técnicos em Saúde (OTS) defende que "a variável sexo, observada no estudo da distribuição dos vínculos de trabalho, permite observar que políticas de educação e de trabalho voltadas para esse conjunto de trabalhadoras(es) terão como beneficiárias principalmente mulheres, muitas vezes oriundas de frações empobrecidas da classe trabalhadora e com trajetórias profissionais marcadas pela precarização em suas relações de trabalho." 

A avaliação corrobora estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS) que mostra o fato de que, apesar de serem maioria, as mulheres não conseguem avançar nas carreiras, muitas das vezes, pela falta de tempo para se profissionalizar, já que estão expostas às jornadas mais longas de trabalho, que geram mais estresse e exaustão. 

Neste Dia Internacional da Mulher, o OTS reconhece e parabeniza o trabalho das mulheres na área da saúde, e celebra suas conquistas. Ao mesmo tempo, destacamos a necessidade de superar as desigualdades que prejudicam estas profissionais. 

Para isso, as mulheres precisam estar vivas, já que os casos de feminicídio são alarmantes. De acordo com o Relatório Anual de Feminicídios no Brasil, o país registrou 6.904 vítimas de casos consumados e tentados em 2025, o que representa um aumento de 34% em relação ao ano de 2024, quando houve 5.150 vítimas. Foram 4.755 tentativas e 2.149 assassinatos, totalizando quase seis (5,89) mulheres mortas por dia. 

Que a data sirva como um momento de reflexão para que as instituições ofereçam mais oportunidades de liderança e representatividade feminina em todas as posições, e lutem pela vida e bem-estar das mulheres. Reconhecer a importância do trabalho das mulheres e lutar por um futuro mais igualitário, é uma forma de fortalecer o Sistema Único de Saúde. 

 

Texto: Nayara Oliveira*. Imagem: Valter Campanato / Agência Brasil.

*Estagiária, sob supervisão de Paulo Schueler.