Auxiliares e Trabalhadores na luta pela profissionalização

 

Aqui se encontram as trabalhadoras e os trabalhadores que realizam atividades técnicas, profissionalizadas(os) como auxiliares ou em processo de regulamentação da formação e do trabalho.  

A profissionalização é um processo coletivo frequentemente longo. Envolve, por exemplo, a regulamentação da formação, a criação de diretrizes curriculares nacionais, a inclusão da ocupação na Classificação Brasileira de Ocupações (CBO) e a criação de leis e decretos específicos e de entidades de classe, por exemplo, os conselhos profissionais. As associações ou federações e os sindicatos possuem um papel fundamental em todo este processo.  

É um subgrupo diverso e numeroso de trabalhadoras e trabalhadores que realizam atividades fundamentais na saúde. Entretanto, encontram-se numa situação de subordinação e precarização em relação ao trabalho e à educação que revela a persistência da divisão social e técnica do trabalho. 

Sua luta tem como horizonte o reconhecimento profissional e o acesso aos direitos trabalhistas. Implica a defesa do ensino médio e da formação técnica como critérios mínimos para o trabalho e a profissionalização em saúde. 

CBO 5151- 40 - Agente de Combate às Endemias 

CBO 5151-30 - Agente Indígena de Saneamento 

CBO 5151-25 - Agente Indígena de Saúde 

CBO 5152-05 - Auxiliar de Banco de Sangue 

 

O que fazem? 

As Auxiliares de Enfermagem integram a equipe de Enfermagem. Profissão voltada para o cuidado integral com o ser humano que envolve a promoção, prevenção, recuperação e reabilitação nos processos saúde-doença em todo o ciclo vital.  

Para tanto, realizam atividades auxiliares, de nível médio, no cuidado em âmbito individual, familiar e comunitário, sob a supervisão da(o) Enfermeira(o).  

São responsáveis pelo preparo do paciente para consultas, exames, tratamentos e cirurgias. Devem observar, reconhecer e descrever sinais e sintomas de acordo com a sua competência, executar os tratamentos e curativos prescritos e prestar cuidados de higiene e conforto ao paciente, zelando por sua segurança. Realizam a desinfecção e esterilização de materiais cirúrgicos, bem como cuidados diretos no pré e pós-operatório, entre outras atividades. 

Realizam atividades de educação em saúde, orientam os pacientes na pós-consulta e executam os trabalhos de rotina para a alta de pacientes. Participam dos procedimentos no pós-morte. 

Fontes: Lei nº 7.498/1986 e Decreto nº 94.406/1987 que regulamentam o Exercício Profissional da Enfermagem. 

 

Qual a formação das(os) Auxiliares? 

Antigamente, a formação tinha o objetivo de qualificar as(os) atendentes de enfermagem, trabalhadoras(es) que aprendiam o ofício na prática realizada nos próprios serviços de saúde. 

Hoje em dia, não há mais a formação específica para Auxiliares de Enfermagem. E, para elevar o nível de formação para a habilitação técnica desse grande grupo de trabalhadoras(es), foram feitas diversas iniciativas, como o Projeto Larga Escala e o Projeto de Profissionalização dos Trabalhadores da Área de Enfermagem (Profae). 

O curso de formação de auxiliares passou a ser considerado como o primeiro módulo para a formação técnica, com duração de 710 horas de aulas teóricas e 400 em estágio supervisionado, cumpridos no 1º ano do curso técnico.  

Assim, o caminho das(os) profissionais que ainda atuam como auxiliares é a realização do curso de complementação para concluírem sua habilitação como Técnicas(os) de Enfermagem. Acesse mais informações aqui. 

Desde 2021, a Resolução Cofen n° 683 permite que as(os) Auxiliares de Enfermagem realizem, junto ao Conselho Regional do seu Estado (Coren), o processo para certificação profissional por competência, e, caso sejam aprovadas(os), receberão o diploma como Técnicas(os). É necessário comprovar por meio de documentações a experiência mínima de dois anos em função ou cargo cujas atribuições sejam relacionadas às competências legais da(o) profissional de enfermagem. 

Fontes: Cofen e Podcast Técnicos do Cuidar: Técnico e Auxiliar de Enfermagem (EPSJV/Fiocruz)

 

Onde podem atuar? 

Assim como as(os) Técnicas(os), as Auxiliares de Enfermagem atuam majoritariamente no Sistema Único de Saúde. Trabalham em hospitais, unidades de pronto atendimento, unidades básicas de saúde, clínicas, centros de diagnóstico por imagem e análises clínicas, consultórios, ambulatórios, serviços de cuidados domiciliares, atendimento pré-hospitalar, abrigos, asilos, casas de repouso, Centros de Atenção Psicossociais (CAPS), equipes de Saúde da Família e Consultórios na Rua, serviços de segurança do trabalho e serviços de urgências móveis. 

Fontes: Catálogo Nacional de Cursos Técnicos (2023), Pesquisa Perfil da Enfermagem no Brasil e Política Nacional de Atenção Básica (2017). 

 

Quais são as principais normas que regulam o seu exercício profissional? 

A enfermagem é uma profissão regulamentada pela Lei nº 7.498/86 e Decreto nº 94.406/87, e possui seu Código de Ética Profissional estabelecido pela Resolução Cofen nº 564/2017. 

Para atuação profissional é necessário, além do certificado de formação, ter o registro no Conselho Regional de Enfermagem (Coren) do Estado onde irá trabalhar.  

As(os) auxiliares pertencem à família 3222 na Classificação Brasileira de Ocupações (CBO), representada pelos códigos 3222 – 30, 3222 – 35, 3222 – 40 e 3222 – 50. Estes representam as variadas inserções dessas(es)trabalhadoras(es) no campo da saúde, tais como em: saúde pública, hemodiálise, home care, nefrologia, saúde mental, ginecologia, obstetrícia, hemotransfusão, enfermagem do trabalho, estratégia de saúde da família, entre outras. 

O seu piso salarial está estabelecido pela Lei nº 14.434/2022 em 2.375 reais. 

Fontes: Cofen, Lei do Piso Salarial da Enfermagem, Podcast Técnicos do Cuidar: Técnico e Auxiliar de Enfermagem (EPSJV/Fiocruz) e Classificação Brasileira de Ocupações (CBO). 

 

Quantas(os) são? 

O Conselho Federal de Enfermagem, em dezembro de 2023, informou que há 461.180 Auxiliares inscritas nos conselhos regionais, representando quase 16% do total de 2.932.600 profissionais da Enfermagem. 

Segundo o Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES), em janeiro de 2023, existem 197.984 vínculos de trabalho em unidades publicas e privadas registrados com os quatro códigos CBO da profissão. Destes, estão inseridas(os) 158.363  Auxiliares de Enfermagem com apenas um vínculo.

Uma curiosidade é que ainda são (os) 9.202 atendentes de enfermagem registradas(os) no CNES neste mesmo período. 

Fontes: Cofen e CNES. 

 

Entidades representativas 

Os Conselhos Federal de Enfermagem (Cofen) e Regionais de Enfermagem (Coren) são responsáveis pela regulação do exercício profissional.  

Existem também as entidades ligadas às áreas específicas de atuação que as(os) Auxiliares de Enfermagem podem se associar e participar ativamente, tais como a Associação Brasileira de Enfermagem (ABEn) e a Associação Nacional dos Auxiliares e Técnicos de Enfermagem (Anaten). 

A categoria também é representada por diversos sindicatos de abrangências regionais, como, por exemplo: 

Sindicato dos Profissionais Auxiliares e Técnicos de Enfermagem e Enfermeiros de Rio Branco. 

Sindicato dos Trabalhadores da área de Enfermagem de Campo Grande. 

Sindicato dos Auxiliares e Técnicos de Enfermagem do Rio de Janeiro. 

Sindicato dos Profissionais de Enfermagem, Técnicos, Duchistas, Massagistas e Empregados em Hospitais e Casas de Saúde do Estado do Rio Grande do Sul. 

Sindicato dos Auxiliares e Técnicos em Enfermagem e Trabalhadores em Estabelecimentos de Saúde do Estado do Maranhão. 

Fontes: ABEn, Anaten e Confederação Nacional dos Trabalhadores em Seguridade Social (CNTSS). 

 

Elaboração
Isabella Koster. Enfermeira (UFF). Doutora em Saúde Pública (Ensp/Fiocruz). Professora-pesquisadora do Laboratório de Trabalho e Educação Profissional em Saúde (Lateps) e integrante da equipe do Observatório dos Técnicos em Saúde (EPSJV/Fiocruz).

Como citar 
Koster, Isabella. Ficha Técnica das Profissões: Auxiliares de Enfermagem. In: Koster, Isabella (coordenação). Quem são as(os) Trabalhadoras(es) Técnicas(os) em Saúde? Observatório dos Técnicos em Saúde [Online]. Rio de Janeiro:  EPSJV, 2023. Disponível em: ___________. Acesso em: ___/___/___.

 

Publicação: 27/11/2023

Atualização: 20/12/2023 
 

 

CBO 5151-10 - Atendente de Enfermagem 

CBO 5152-10 - Auxiliar de Farmácia de Manipulação 

CBO 5152-15 - Auxiliar de Laboratório de Análises Clínicas 

CBO 8181-10 - Auxiliar de Laboratório de Análises Fisicoquímicas 

CBO 5152-20 - Auxiliar de Laboratório de Imunobiológicos 

CBO 5152-25 - Auxiliar de Produção Farmacêutica 

CBO 3224-20 - Auxiliar de Prótese Dentária 

CBO 7664-20 - Auxiliar de Radiologia (Revelação Fotográfica) 

CBO 3222-40 - Auxiliar de Saúde (Navegação Marítima) 

O que fazem? 

As(os) Auxiliares compõem a equipe de Saúde Bucal juntamente com as técnicas(os), cirurgiãs e cirurgiões-dentistas, e, supervisionadas por elas(es), desenvolvem ações de promoção da saúde e prevenção de riscos e agravos dentro e fora do consultório odontológico, voltadas para indivíduos, famílias e coletividade.  Além disso, realizam atividades vinculadas ao apoio e instrumentalização das ações das(os) demais trabalhadoras(es) da equipe. 

No seu cotidiano de trabalho são responsáveis por atividades antes, durante e depois dos atendimentos, tais como: o acolhimento das(os) usuárias(os) no serviço, bem como o preparo delas(es) para o atendimento; a organização e execução de atividades de higiene bucal; o auxílio e a instrumentalização das(os) profissionais nas intervenções clínicas, inclusive em ambientes hospitalares; a seleção de moldeiras e preparação de modelos de gesso e o processamento de filme radiográfico. 

Também atuam no registro de dados e participam da análise das informações relacionadas ao controle administrativo em saúde bucal; executam limpeza, assepsia, desinfeção e esterilização do instrumental, equipamentos odontológicos e do ambiente de trabalho; aplicam medidas de biossegurança no armazenamento, transporte, manuseio e descarte de produtos e resíduos odontológicos; realizam em equipe levantamento de necessidades em saúde bucal; e adotam medidas de biossegurança visando ao controle de infecção.  

Fontes: Lei do exercício profissional das profissões de Técnico em Saúde Bucal (TSB) e de Auxiliar em Saúde Bucal (ASB) e Perfil de competências profissionais do técnico em higiene dental e do auxiliar de consultório dentário - Ministério da Saúde. 

 

Como se tornar uma Auxiliar em Saúde Bucal? 

É necessário ter, no mínimo, 18 anos, ensino fundamental completo e certificado de curso reconhecido legalmente, com carga horária mínima de 300 horas, sendo 240 horas teórico/prática e 60 horas de estágios supervisionados.  

Em 2004, o Ministério da Saúde criou o perfil de competências para a(o) Técnica(o) e Auxiliar em Higiene Dental, hoje conhecidos como Técnica(o) e Auxiliar em Saúde Bucal. Este documento propôs a organização do currículo dos cursos de formação técnica em módulos. Desta forma tornou-se possível a realização parcial do curso, permitindo se tornar Auxiliar em Saúde Bucal, desde que fossem contempladas a carga horária e os conteúdos mínimos necessários para o exercício das atividades desta ocupação.  

Pode exercer, também, no território nacional, a profissão de Auxiliar em Saúde Bucal, a(o) portador(a) de diploma expedido por escola estrangeira devidamente revalidado. 

Além do certificado de formação, para atuar como auxiliar é preciso ter o registro profissional por meio da inscrição no Conselho Regional de Odontologia (CRO) no estado que irá atuar.  

Fontes: Conselho Federal de Odontologia (CFO), Perfil de competências profissionais do técnico em higiene dental e do auxiliar de consultório dentário - Ministério da Saúde e Auxiliares em saúde bucal: aperfeiçoando conhecimentos e práticas (PALMIER et al., 2021).   

 

Onde podem atuar? 

As(os) Auxiliares em Saúde Bucal atuam em serviços privados ou públicos nos diferentes níveis de Atenção à Saúde – Atenção Básica, Especializada e Hospitalar. 

Atualmente, a maioria dessas(es) trabalhadoras(es) (84,7%) se insere exclusivamente em estabelecimentos públicos que prestam serviços ao SUS: hospitais; policlínicas; ambulatórios; centros de diagnóstico e imagem; unidades básicas, postos e centros de saúde; consultórios na rua; unidades de saúde indígena; unidades prisionais; Centro de Especialidades Odontológicas (CEO); Unidades Móveis Odontológicas; Unidades de Pronto Atendimento (UPA); entre outros.  

Essas(es) trabalhadoras(es) também exercem suas atividades em serviços de saúde bucal pertencentes às forças armadas (exército, marinha e aeronáutica) e a instituições privadas (consultórios particulares, clínicas, centros de exames e imagens, hospitais, ambulatórios, etc.) 

Fontes: Catálogo Nacional de Cursos Técnicos (2023), Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES) e Podcast Técnicos do Cuidar: Técnico e Auxiliar em Saúde Bucal (EPSJV/Fiocruz)

 

Quais são as principais normas que regulam o seu exercício profissional? 

A profissão da(o) Auxiliar em Saúde Bucal é regulamentada pela Lei nº 11.889/2008 e possui código de Ética Profissional estabelecido pela Resolução CFO nº 118/2012. 

A inclusão na Classificação Brasileira de Ocupações (CBO) pelos códigos 3224- 15 (Auxiliar em Saúde Bucal) e 3224-30 (Auxiliar em Saúde Bucal da Estratégia Saúde da Família) reforçam o reconhecimento profissional dessa categoria e reforça seus direitos e proteção social no trabalho.  

O piso salarial da categoria ainda não foi estabelecido em lei e é bandeira de luta dos movimentos organizados dessas(os) trabalhadoras(es). 

Fontes: Conselho Federal de Odontologia (CFO), Associação Nacional de Auxiliares e Técnicas em Saúde Bucal (ANATO) e Classificação Brasileira de Ocupações (CBO). 

 

Quantas(os) são? 

Em novembro de 2023, o Conselho Federal de Odontologia (CFO) mostrou que há 173.132 profissionais com o registro de Auxiliares de Saúde Bucal nos Conselhos Regionais. No entanto, dados de janeiro deste mesmo ano, obtidos no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES), apontam que apenas 50.688 trabalhadoras(es) desta categoria ocupam 54.066 vínculos de trabalho nos serviços de saúde públicos e privados. Destes vínculos, 23.383 foram identificados pelo código da CBO 3224-15 (Auxiliar em Saúde Bucal) e 30.683 pelo código 3224-30 (Auxiliar em Saúde Bucal da Estratégia Saúde da Família). 

Fontes: Conselho Federal de Odontologia (CFO) e Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES). 

 

Entidades representativas 

Associação Nacional de Auxiliares e Técnicos em Saúde Bucal (ANATO). 

Associação Brasileira de Saúde Bucal Coletiva (ABRASBUCO). 

A categoria também é representada e diversos sindicatos de abrangências regionais, como, por exemplo: 

Sindicato dos Trabalhadores Técnicos e Auxiliares em Saúde Bucal do Distrito Federal. 

Sindicato dos Técnicos e Auxiliares em Saúde Bucal do Estado do Amapá 

Sindicato dos Técnicos e Auxiliares em Saúde Bucal de Campo Grande. 

Sindicato dos Técnicos e Auxiliares de Saúde Bucal do Rio Grande do Norte. 

Sindicato dos Técnicos e Auxiliares em Saúde Bucal de Mato Grosso do Sul. 

Os Conselhos Federal de Odontologia (CFO) e Regionais de Odontologia (CRO) são responsáveis pela regulação do exercício profissional. 

Fontes: Conselho Federal de Odontologia (CFO) e Sítios eletrônicos das entidades representativas. 

 

Elaboração  

Carla Cabral Gomes Carneiro. Cirurgiã-Dentista (UFPE). Mestre em Saúde Pública (Ensp/Fiocruz). Professora-pesquisadora do Laboratório de Trabalho e Educação Profissional em Saúde (Lateps) e integrante da equipe do Observatório dos Técnicos em Saúde (EPSJV/Fiocruz). 

Isabella Koster. Enfermeira (UFF). Doutora e Mestre em Saúde Pública (Ensp/Fiocruz). Professora-pesquisadora do Laboratório de Trabalho e Educação Profissional em Saúde (Lateps) e integrante da equipe do Observatório dos Técnicos em Saúde (EPSJV/Fiocruz). 
 

Como citar 

Carneiro, Carla C.G; Koster, Isabella. Ficha Técnica das Profissões: Auxiliares de Saúde Bucal. In: Koster, Isabella (coordenação). Quem são (as)os Trabalhadoras(es) Técnicas(os) em Saúde? Observatório dos Técnicos em Saúde [Online]. Rio de Janeiro:  EPSJV, 2023. Disponível em: ___________. Acesso em: ___/___/___. 
 

Publicação: 28/12/23

CBO 3251-05 - Auxiliar Técnico em Laboratório de Farmácia 

CBO 3242-10 - Auxiliar Técnico em Patologia Clínica 

CBO 3221-35 - Doula 

CBO 5152-A1 - Microscopista (provisoriamente estabelecida por meio da Portaria do Ministério da Saúde no 382/2008). 

CBO 5151-15 - Parteira Leiga 

CBO 5151-35 - Socorrista (Exceto Médicos e Enfermeiros) 

CBO 3221- 05 - Técnico em Acupuntura 

O que fazem? 

As Técnicas e Técnicos em Citopatologia, também conhecidas(os) como Citotécnicas e Citotécnicos, são responsáveis pela triagem inicial das amostras de material citopatológico, preparadas pelo método de Papanicolaou, popularmente chamado de exame preventivo de colo de útero. A partir do laudo técnico que emitem, orientam o diagnóstico e permitem que o médico consiga dar mais atenção aos casos que precisam de intervenção, em geral 10 a 30% do total de amostras.  

Graças à sua atuação, que reduz o fluxo de lâminas que chegam ao médico para serem analisadas, torna-se possível a realização dos programas de rastreamento populacional em larga escala.  

O rastreamento é um processo de busca e identificação de pessoas aparentemente saudáveis, mas que podem apresentar maior risco de desenvolver uma determinada doença. É o principal método de diagnóstico de casos e prevenção de mortes pelo câncer de colo do útero, pois permitem a identificação precoce de alterações das células para que o tratamento possa ocorrer tão logo possível, o que é essencial para conseguir um alto índice de cura. 

Pela Classificação Brasileira de Ocupações (CBO) estas(es) profissionais analisam o material biológico de pacientes, recebendo suas amostras e as preparando conforme protocolos técnicos específicos. Também operam, checam e calibram os equipamentos de análises e de suporte, trabalhando sempre de acordo com as normas de qualidade, biossegurança e boas práticas em laboratórios de saúde, o que é essencial, tendo em vista que em algumas das suas atividades poderão sofrer exposição a materiais tóxicos e de risco biológico. 

Além das atribuições já elencadas, a(o) Técnica e Técnico em Citopatologia está habilitada(o) para outras mais: colaboram na investigação e implantação de novas tecnologias; executam, sob a supervisão do profissional responsável de nível superior (biomédicos, farmacêuticos e médicos), atividades padronizadas de laboratório referentes aos exames microscópicos em sua área técnica;  participam de campanhas educativas e incentivam as atividades comunitárias na Atenção Primária, promovem a integração entre a equipe de saúde e a comunidade e a comunicação com a sua equipe e com os responsáveis técnicos.  

Fontes: Teixeira, Porto e Souza (2012), Diretrizes Brasileiras para o Rastreamento do Câncer do Colo do Útero - INCA, Classificação Brasileira de Ocupações (CBO) e Catálogo Nacional de Cursos Técnicos (2023). 

 

Como se tornar uma(um) Técnica(o) em Citopatologia? 

O Ministério do Trabalho e Emprego afirma que para atuar como Técnica(o) em Citopatologia no Brasil é necessário a realização de um curso técnico profissionalizante oferecido por instituições de formação profissional ou escola técnica.   

O Catálogo Nacional de Cursos Técnicos (CNCT) reforça esta ideia, e afirma que o curso técnico profissionalizante deverá durar, em média, um ano e meio, e ter no mínimo 1200 horas de duração voltadas à educação profissional. Outro elemento importante na formação destas técnicas e técnicos é a realização do estágio curricular obrigatório, que está também previsto na Resolução nº 6, de 20 de setembro de 2012, do Ministério da Educação, que define as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Profissional Técnica de Nível Médio. 

Após a realização da sua formação profissional básica, é possível buscar aperfeiçoamento técnico cursando especialização técnica em áreas como Imunocitopatologia e Biologia Molecular Aplicada à Citopatologia. 

Fontes: Catálogo Nacional de Cursos Técnicos (2023) e Resolução nº 6/2012 – Ministério da Educação

 

Onde podem atuar? 

Devido à especificidade do trabalho realizado por estas(es) profissionais, sua atuação fica de certa forma restrita a ambientes fechados como clínicas, hospitais e laboratórios de Citopatologia. 

Fontes: Catálogo Nacional de Cursos Técnicos (2023) e Podcast Técnicos do Cuidar: Técnico em Citopatologia (EPSJV/Fiocruz).   

 

Quais são as principais normas que regulam o seu exercício profissional? 

A atuação profissional na área técnica de Citopatologia tem como um marco importante a descrição apresentada pelo Ministério do Trabalho e Emprego na Classificação Brasileira de Ocupações (CBO), em que são indicadas a descrição sumária, a formação e experiência demandadas para a atuação profissional, as condições gerais para o exercício profissional como Técnica e Técnico em Citopatologia e uma lista com as principais atividades que caracterizam sua atuação. Seu código na CBO é o 3242-15 - Citotécnico. 

Como esta profissão não tem nenhuma regulamentação, não existe documento legal que determine a sua vinculação obrigatória a nenhum conselho profissional, seja ele relacionado a qualquer categoria.  

Um documento importante para orientar as demandas quanto à qualificação das técnicas e os técnicos e sua contratação pelos laboratórios de Citopatologia é a Portaria do Ministério da Saúde nº 3.388/2013, que redefiniu as bases para a Qualificação Nacional em Citopatologia na Prevenção do Câncer do Colo do Útero, no âmbito da Rede de Atenção à Saúde das Pessoas com Doenças Crônicas. Esta publicação ficou conhecida como QualiCito. 

Fontes: Classificação Brasileira de Ocupações (CBO) e Portaria nº 3.388/2013 - Ministério da Saúde

 

Quantas(os) são? 

Segundo dados de janeiro de 2023, obtidos no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES), há apenas 221 trabalhadoras(es) inseridas por um único vínculo de trabalho nos 392 vínculos existentes nos serviços públicos e privados de saúde, identificados pelo código 3242-15 - Citotécnico. 

Já de acordo com os dados apresentados pelo Monitor de Profissões, da Associação Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), a partir de dados do Cadastro Nacional de Atividades Econômicas (CNAE), do IBGE, é indicada a existência, no ano de 2019 (data da última atualização), de 178 vínculos profissionais relacionados ao trabalho técnico em citopatologia. Estes vínculos são distribuídos, principalmente entre as seguintes áreas: 157 alocados na área de Saúde Humana e Serviços Sociais, um na área da Educação, 11 na área de Administração Pública, Defesa e Seguridade Social, e sete na área de Atividades Profissionais, Científicas e Técnicas. 

Importante ressaltar o grande perfil de atuação feminina na área. Ainda segundo o Monitor de Profissões, 81% (145) dos vínculos são ocupados por mulheres, enquanto os homens ocupam apenas 19% (33) destes vínculos. 

Fontes: Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES), Associação Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e Cadastro Nacional de Atividades Econômicas (CNAE). 

 

Entidades representativas 

Embora as Técnicas e Técnicos em Citopatologia não possuam nenhuma lei que regulamente sua profissão, e nenhuma instância reguladora destas atividades no país, é extremamente importante ressaltar a necessidade dessas trabalhadoras e trabalhadores conseguirem se organizar para construir entidades de representação que seja composta pelos seus próprios pares profissionais, a fim de lutar por melhores condições de trabalho e pelo fortalecimento do seu grupo profissional. 

A Associação Nacional de Citotecnologia vem a ser uma entidade que tem como foco fortalecer a formação e o trabalho no país, buscando congregar todas as regiões, de forma a ouvi-las(os) e buscar meios de construir propostas e iniciativas que favoreçam a categoria em diversas instâncias, na qual essas trabalhadoras e trabalhadores podem se associar. 

Fonte: Associação Nacional de Citotecnologia (Anacito). 

 

Elaboração  

Leandro Medrado. Biólogo (UNIGRANRIO). Doutor em Ensino de Biociências e Saúde (IOC/FIOCRUZ). Professor-pesquisador do Laboratório de Educação Profissional em Técnicas Laboratoriais em Saúde (Latec) da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio da Fiocruz (EPSJV/Fiocruz). 

 

Como citar  

Medrado, Leandro. Ficha Técnica das Profissões: Técnicas e Técnicos em Citopatologia. In: Koster, Isabella (coordenação). Quem são as(os) Trabalhadoras(es) Técnicas(os) em Saúde? Observatório dos Técnicos em Saúde [Online]. Rio de Janeiro:  EPSJV, 2023. Disponível em: ___________. Acesso em: ___/___/___. 

 

Publicação: 28/12/23

CBO 3115-05 - Técnico de Controle de Meio Ambiente 

CBO 5162-10 - Cuidador de Idosos 

CBO 5153-15 - Monitor de Dependente Químico 

CBO 3135-D1 - Técnico em Reabilitação (provisoriamente estabelecida pela Portaria Ministerial no 370/2007). 

CBO 3135-00 - Técnico em Equipamento Médico Hospitalar 

CBO 9153-05 - Técnico em Manutenção de Equipamentos e Instrumentos Médico hospitalares 

CBO 3135-D2 - Técnico em Equipamento Médico Hospitalar (provisoriamente estabelecida pela Portaria Ministerial no 370/2007). 

CBO 3241-30 - Técnico em Espirometria 

CBO 3221-30 – Esteticista 

CBO 3251-15 - Técnico em Farmácia  

CBO 3251-10 - Técnico em Laboratório de Farmácia 

Ocupação ainda sem registro na CBO.  

Pela análise dos dados do Cadastro Nacional de Estabelecimento de Saúde (CNES), realizada em janeiro de 2023, não foram encontrados registros de vínculos de trabalho de Técnicos em Gerência em Saúde nos estabelecimentos de saúde públicos e privados. 

CBO 3242-20 - Técnico em Hemoterapia 

CBO:3201-10 - Técnico em Histologia 

CBO 32260-5 - Técnico de Imobilização Ortopédica 

CBO 3253-10 - Técnico em Imunobiológicos 

CBO 3221-20 - Massoterapeuta 

CBO 3115-05 - Técnico de Controle de Meio Ambiente 

CBO 3241-05 - Técnico em Métodos Eletrográficos em Encefalografia 

CBO 3241-10 - Técnico em Métodos Gráfico em Cardiologia 

CBO 5165-05 - Agente Funerário 

CBO 3281-05 - Embalsamador 

CBO 3281-10 - Taxidermista 

CBO 3223-05 - Técnico em Ótica e Optometria 

CBO 3223-05 - Técnico em Ótica e Optometria 

CBO 3225-05 - Técnico de Ortopedia 

CBO 3221-10 – Podólogo 

CBO 3221-15 - Técnico em Quiropraxia 

CBO 4153-05 - Registrador de Câncer 

CBO 4153- 10 - Analista de Informação em Saúde 

CBO 3221-25 - Terapeuta Holístico 

CBO 3522-05 - Agente de Defesa Ambiental 

CBO 3522-10 - Agente de Saúde Publica 

CBO 5193-05 - Auxiliar de Veterinário 

CBO 5151-20 - Visitador Sanitário