
Neste sábado, 25 de abril, será celebrado o Dia Mundial da Luta Contra a Malária, data instituída pela Organização Mundial da Saúde (OMS) com o objetivo de alertar sobre a necessidade de prevenção da doença, além de reconhecer os esforços globais para seu controle.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2024 - ano mais recente com dados consolidados - 282 milhões de casos de Malária foram notificados em 80 países, gerando cerca de 610 mil óbitos. A Organização relatou ainda que a África respondia por 95% dos números tanto de notificação quanto de óbitos registrados, e dos 579 mil óbitos por Malária naquele continente, 75% - cerca de 434 mil mortes - ocorreram com crianças abaixo de 5 anos de idade.
Em relação ao Brasil, dados do Centro Nacional de Inteligência Epidemiológica e Vigilância Genômica do Ministério da Saúde referentes ao ano de 2026, consolidados até o dia 13 de abril, atestam a notificação de 24.983 casos de Malária este ano, dos quais quase a totalidade - 24.149 - ocorreu na região amazônica. Deste total, 293 notificações foram em gestantes. Embora elevados, os números apresentam queda quando comparados ao mesmo período de 2025 em 9 das 11 unidades da federação onde foram notificados casos, sendo exceções o Maranhão (com alta de 6,7% de casos em 2026) e Acre (alta de 18,2%).
Em nosso país, a situação da Malária ganhou notoriedade recente devido à sua disseminação em territórios indígenas, notadamente das etnias Munduruku e Yanomami. Sobre esta última, em 8 de abril o Ministério da Saúde divulgou que em 2025 foi registrada uma redução de 80,8% de óbitos por malária, na comparação com os números de 2023, ao mesmo tempo em que houve aumento de 75,9% do número de exames realizados por detecção ativa. Segundo a pasta, a testagem para a doença foi ampliada de 144.986 para 2574.830 testes em 2025.
A Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/Ficoruz), estação de trabalho deste Observatório dos Técnicos em Saúde (OTS), contribui para a promoção da saúde destas etnias - portanto para o controle da Malária entre os dois povos - Em 2020, a EPSJV ofertou o Curso de Atualização Profissional em Vigilância e Monitoramento de Populações Expostas ao Mercúrio no Brasil para profissionais de saúde, com o desenvolvimento de recursos educacionais nas línguas indígenas Yanomami e Munduruku e sua utilização como material pedagógico complementar ao curso. Em 2022, desenvolveu o projeto Impacto do mercúrio em áreas protegidas e povos da floresta na Amazônia: uma abordagem integrada saúde-ambiente, cujo relatório - publicado em 2024 - revelou que "mais de 80% dos participantes relataram ter tido Malária ao menos uma vez na vida, com uma média de três episódios da doença por indivíduo".
A doença e a atuação dos técnicos
Não existe vacina contra a doença no Brasil, e as únicas três aprovadas mundialmente pela OMS - a RTS, a S e a R21 - são focadas no parasita Plasmodium falciparum, predominante na África - no Brasil, a maioria dos casos é causada pelo Plasmodium vivax. Apesar disso, a doença tem cura quando o diagnóstico é feito de forma célere. Neste caso, o tratamento é eficaz, simples e gratuito, e evita que a doença evolua para suas formas graves.
A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) desceve a Malária como uma doença infecciosa, febril, aguda e potencialmente grave. Causada por parasito do gênero Plasmodium, é transmitido ao ser humano, na maioria das vezes, pela picada de mosquitos infectados do gênero Anopheles, podendo ser transmitida também através do compartilhamento de seringas, transfusão de sangue e de mãe para feto, durante a gravidez - por isto a notificação de casos em gestantes, citada anteriormente.
A principal causa de morte por malária é o diagnóstico tardio e a falta de profissionais familiarizados com o quadro da doença, em especial fora da região endêmica. Pessoas com suspeita de Malária, principalmente residentes destas localidades não-endêmicas, devem procurar serviço especializado para diagnóstico e tratamento, como o Instituto Nacional de Infectologia (INI/Fiocruz), no Rio de Janeiro, que oferece plantão 24h, durante os sete dias da semana.
Além de infectologistas e clínicos, os profissionais técnicos em saúde participam ativamente no combate à doença, da prevenção, passando pelo diagnóstico e chegando ao tratamento. Agentes Comunitários de Saúde, Agentes de Combate às Endemias, bem como Agentes Indígenas de Saúde, podem identificar casos suspeitos. Técnicos e auxiliares de Análises Clínicas atuam na identificação dos casos suspeitos, bem como os de Enfermagem - em caso de uso de testes rápidos -, estes últimos realizando o manejo clínico quando os casos são confirmados. Por fim, técnicos e auxiliares em Imunobiológicos, bem como técnicos e auxiliares de produção farmacêutica, atuam nos processos de produção, controle e garantia da Qualidade de insumos como os kits de diagnóstico e os medicamentos usados em pacientes.
Jornalista: Paulo Schueler. Foto: Fernando Frazão / Agência Brasil