Os técnicos em Saúde e o combate à tuberculose

Em 24 de março se comemora o Dia Mundial de Combate à Tuberculose. A data foi estabelecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 1982, exatamente um século após o médico Robert Koch ter anunciado a descoberta da bactéria que causa a doença, a Mycobacterium tuberculosis. Embora afete principalmente os pulmões, ela também pode atingir outros órgãos e sistemas do nosso corpo. A doença é transmitida pelo ar, quando as pessoas infectadas tossem, espirram ou cospem. A descoberta de Koch abriu caminho para o diagnóstico e a busca por meios tanto de prevenção quanto de cura para a enfermidade.

Para ocorrer, as três ações - prevenção, diagnóstico e tratamento - contam com a colaboração necessária e permanente de diferentes categorias profissionais que compõem os técnicos em Saúde, dentro e fora das unidades assistenciais do Sistema Único de Saúde (SUS). Técnicos de Enfermagem aplicam a vacina vacina BCG (bacilo Calmette-Guérin), Agentes Comunitários de Saúde e Agentes de Combate às Endemias podem identificar casos suspeitos, Técnicos e Auxiliares de Análises Clínicas manipulam as amostras que confirmaram ou não a infecção. e Técnicos de Radiologia realizam exames de imagem para colaborar na definição do diagnóstico. Confirmados os casos, o manejo clínico também ocorre com participação de trabalhadores técnicos, como Técnicos e Auxiliares de Enfermagem. 

Em 2026, o lema da OMS contra a tuberculose é "Sim! Podemos Acabar com a Tuberculose". A entidade insta os governos a investirem pesadamente no combate à doença como "uma obrigação moral". Segundo a agência, para cada dólar gasto na prevenção e tratamento, existe um retorno econômico de US$ 43. No entanto, de acordo com os dados mais recentes da Organização, 10,7 milhões de pessoas contraíram a doença desde 2024, das quais 1,23 milhão foram à óbito, o que revela descompromisso com as populações. No Brasil, os dados epidemiológicos mais recentes sobre a doença divulgados pelo Ministério da Saúde são referentes ao ano de 2024, e revelam aumento recente do número de casos notificados, de 69 mil em 2020 para 85,9 em 2024, quando ocorreram cerca de 6 mil óbitos.  

Prevenção e tratamento no Sistema Único de Saúde (SUS) 

Estes númewros poderiam ser evitados se a cobertura vacinal da vacina BCG, ofertada no SUS, estivesse em níveis satisfatórios. O imunizante protege a criança das formas mais graves da doença, como a tuberculose miliar e a tuberculose meníngea, e ddeve ser ministrada às crianças ao nascer, ou, no máximo, até os 4 anos, 11 meses e 29 dias. A prevenção não-farmacológica também colabora para a redução da transmissão da tuberculose, seja em ambientes privados ou locais públicos. Medidas simples, como manter os ambientes bem ventilados e com entrada de luz solar, praticar a higiene da tosse (cobrindo a boca com o antebraço ou um lenço ao tossir e espirrar) e evitar aglomerações reduzem a possibilidad de infecção.  

Por sua vez, o tratamento de pessoas já adoecidas dura no mínimo seis meses, é gratuito e está disponível exclusivamente no SUS. A tuberculose tem cura quando o tratamento é feito de forma adequada até o final, sem que o paciente abandone o uso da medicação prescrita, através de estartégias como o Tratamento Diretamente Observado (TDO), pelo qual há a observação da ingestão do medicamento por um profissional de saúde. Tal ação deve ocorrer idealmente em todos os dias úteis da semana, em local e horário previa,mente acordados entre o paciente e o serviço de saúde. A pessoa com tuberculose necessita ser orientada, de forma clara, quanto às características da doença e do tratamento (duração e esquema do tratamento, recomendações sobre a utilização dos medicamentos, eventos adversos, entre outras dúvidas). 

A atuação dos técnicos em saúde 

Como descrito acima, os técnicos em Saúde atuam nas diferentes etapas da prevenção, diagnóstico e tratamento da doença. Para a obtenção de um diagnóstico precoce, técnicos de Laboratório são responsáveis pela coleta, manipulação e análise de amostras biológicas, como o escarro, utilizando técnicas de baciloscopia e testes rápidos moleculares para uma pronta identificação. Técnicos de enfermagem acompanham os pacientes durante o tratamento, monitorando a adesão à medicação, possíveis efeitos colaterais e evolução clínica. Além disso, participam do TDO, em que o profissional garante que o paciente tome os medicamentos corretamente, evitando abandono e resistência bacteriana. Técnicos em vigilância em saúde fazem o registro, notificação e acompanhamento dos casos, garantindo que as informações cheguem aos serviços de referência. Essa vigilância é essencial para planejar políticas públicas de controle e avaliar a efetividade das ações de saúde. O trabalho destes profissionais une conhecimento técnico à proximidade com a comunidade, promovendo ações práticas e humanas que salvam vidas e fortalecem o SUS.

 

Texto: Paulo Schueler e Nayara Oliveira. Foto: OMS